Nunca o ser humano enxergou tão longe: um novo telescópio espacial está abrindo as janelas do universo e revelando imagens incríveis. Nossos repórteres encontraram um cientista brasileiro que participou da construção.
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É como se a humanidade olhasse para o céu com a visão nublada, fora de foco e, de repente, alguém inventasse um colírio mágico pra enxergar o universo. E quando isso aconteceu, os cientistas produziram um novo mapa da nossa galáxia, a Via Láctea, com uma clareza impressionante.
Esse colírio astronômico é um telescópio espacial, construído em parceria por cinco países e posto em órbita pela Nasa, a agência espacial americana em junho. O Fermi, o maior e mais preciso observatório de que se tem notícia, é um cubo de quatro metros quadrados alimentado por painéis solares.
São três toneladas de equipamentos ultra-modernos, capazes de enxergar 20% do universo. O curioso é que tudo isso funciona com metade da energia de um secador de cabelo. Em uma praia da Flórida, um grupo de cientistas eufóricos registrou o lançamento.
Entre eles, o astrofísico brasileiro Eduardo Couto e Silva. Há três meses, Eduardo e os colegas não desgrudam os olhos do computador. Observando o céu, eles tentam escrever a história de um universo criado há 13,7 bilhões de anos.
E se riem à toa é porque finalmente estão prestes a testemunhar fenômenos que antes só apareciam em teorias e simulações de computador, como o nascimento de um buraco negro.
Buracos negros são corpos com campos gravitacionais tão poderosos que atraem tudo o que está em volta. Nem mesmo estrelas conseguem escapar. A ciência jamais conseguiu observar um buraco negro, porque eles engolem até a luz.
\"Lá dentro você nunca vai saber o que está acontecendo, a informação nunca vai escapar do buraco negro, mas no processo de entrada, quando a partícula está fazendo a curvinha para entrar lá ela vai emitir um grito e aí a gente vai conseguir entender melhor como funcionam todos esses processos em volta do buraco negro.\"
Como a maior parte da luz que é produzida por esses fenômenos violentos da natureza não pode ser vista pelo nosso olho, o telescópio Fermi não usa nenhum tipo de lente. Um equipamento dá uma boa ajuda para a gente entender: é um simulador, exatamente com as mesmas dimensões e que funciona de um jeito muito parecido com o que está lá na órbita da Terra.
O telescópio usa circuitos eletrônicos, barras de cristal e placas de silício para transformar a luz invisível, os chamados raios gama, em imagens que podem ajudar a responder algumas das questões mais intrigantes sobre o universo em que a gente vive.
A principal delas: o que são afinal a matéria escura e a energia escura que compõem 95% do universo, mas que até hoje a ciência não sabe o que são?
\"Ora, o que é essa massa? Tem que ter uma matéria lá, mas como que tem matéria se a gente não está vendo? Então, de repente é uma matéria exótica, uma matéria que ainda não foi descoberta. E a gente chama de matéria escura, porque a gente não está vendo.\"
As pesquisas com o telescópio vão complementar as descobertas que devem surgir do acelerador de partículas LHC, o experimento europeu que pretende encontrar respostas para questões fundamentais sobre o universo.
\"Acho que é um momento muito especial, não só a gente está fazendo essas perguntas, mas agora a gente tem instrumentos, máquinas que são capazes de nos auxiliar a encontrar essas respostas. Temos olhos para ver o micro e o macro, isso é que é fascinante\",
Talvez daqui a alguns anos seja possível confirmar também a sensação de que entramos em uma nova era de avanços e descobertas, um grande passo para que pequenos habitantes dessa imensidão entendam melhor o seu impressionante universo.
Fonte: http://www.globo.com/
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